jueves, 9 de abril de 2026

ENCÍCLICA PATRIARCAL PARA A SANTA PÁSCOA

 



ENCÍCLICA PATRIARCAL

POR OCASIÃO DA SANTA PÁSCOA

Prot. N° 279

† B A R T O L O M E U

PELA GRAÇA DE DEUS

ARCEBISPO DE CONSTANTINOPLA – NOVA ROMA

E PATRIARCA ECUMÊNICO

A TODA PLENITUDE DA IGREJA:

GRAÇA, PAZ E MISERICÓRDIA DE CRISTO, RESSUSCITADO EM GLÓRIA

* * *

Mui honoráveis irmãos Hierarcas e abençoados filhos no Senhor,

Tendo chegado, por meio do jejum, da oração e da contrição, ao radiante e solene dia festivo da Santa Páscoa, entoamos hinos e glorificamos a Ressurreição salvadora do mundo de nosso Senhor, Deus e Salvador Jesus Cristo, a qual assinala a vitória manifesta da vida sobre a morte, renova toda a criação e abre ao ser humano o caminho da deificação pela graça. A Igreja de Cristo preserva a experiência pascal na sua vida litúrgica, nos feitos dos Santos e dos Mártires da fé, no impulso escatológico do monaquismo, na proclamação do Evangelho “até os confins da terra”, na teologia e na arte doxológica, no bom testemunho dos fiéis no mundo, na cultura do amor e da solidariedade, e na certeza inabalável de que o mal não tem a última palavra na história.

A Ressurreição do Senhor é vivida como uma liberdade concedida por Cristo, que inspira, alimenta e fortalece as forças criativas da pessoa humana e o bom combate por “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honroso, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é digno de louvor,”[1] enquanto nos lembra a todos que a jornada rumo à Ressurreição está inseparavelmente ligada à Cruz. Esse vínculo tem preservado o povo de Deus de se identificar com o espírito deste mundo, ao mesmo tempo em que o resguarda de uma insularidade estéril e de uma espiritualidade desprovida de dinamismo e do sopro da esperança.

A vida dos fiéis, no Cristo crucificado e ressuscitado, ainda hoje refuta toda narrativa alheia do ethos cristão como uma “moral dos fracos”, supostamente expressa na humildade, no perdão, no amor sacrificial, no ascetismo, na palavra do Senhor: “Eu, porém, vos digo: não resistais ao mal”[2] e outros princípios e disposições que pertencem ao próprio núcleo da nossa identidade. Nada poderia estar mais distante da verdade do que essa leitura do ethos do cristianismo — do amor sacrificial que “não busca os seus próprios interesses”, um amor entrelaçado com coragem, ousadia e autenticidade existencial. A Páscoa é um hino a essa liberdade, à fé "que opera através do amor,"[3] que não é nossa própria conquista, mas graça e um dom do alto, e que é vivido nos santos Sacramentos da Igreja e no "mistério" do serviço ao próximo. De fato, "o amor por Deus não tolera de forma alguma o ódio contra o próximo ser humano.”[4]

A Igreja de Cristo — o "sal da terra", a "luz do mundo", a cidade "colocada em uma colina", a lâmpada colocada "no candeeiro[5] - dá testemunho ativo no mundo, antes dos sinais dos tempos, sobre a graça que veio e "a esperança que está em nós."[6] A mensagem da Cruz e da Ressurreição ressoa hoje como um Evangelho de paz, reconciliação e justiça. A guerra, o ódio e a injustiça se opõem aos princípios fundamentais do cristianismo, pela realização e consolidação dos quais o povo de Deus reza e trabalha diariamente.  À luz da Ressurreição, suplicamos ao Senhor em favor das vítimas da violência da guerra, dos órfãos, das mães que choram seus filhos e de todos aqueles que trazem no corpo e na alma os efeitos da crueldade e da insensibilidade humanas. “Cristo ressuscitou” é negação e condenação da violência e do medo, e um convite a uma vida de paz. A guerra produz lamentação e morte; a Ressurreição vence a morte e concede a incorruptibilidade.

Diante das imagens diárias da crueldade da guerra, a Igreja levanta sua voz e proclama a sacralidade da pessoa humana — de todo ser humano concreto, em qualquer lugar da Terra — e o dever de respeito absoluto por essa dignidade; e ela nos convoca a "conhecer nosso próprio valor, honrar o Protótipo, reconhecer o poder do mistério e entender por causa de quem Cristo morreu.”[7] A Ressurreição do Senhor é a restauração do ser humano ao seu chamado pré-eterno. Como o "início de outra vida eterna", ela cura relacionamentos alienantes e estabelece a paz "que ultrapassa toda compreensão[8]uma paz que englobe a reconciliação e pacificação do mundo.

Inspirado por Deus, o Santo e Grande Concílio da Igreja Ortodoxa — cujo décimo aniversário de convocação celebraremos este ano — ressaltou o dever da Igreja "de encorajar tudo o que realmente serve à causa da paz (Rom. 14:19) e abre caminho para a justiça, fraternidade, verdadeira liberdade e amor mútuo entre todos os filhos do único Pai celestial,  assim como entre todos os povos que compõem a única família humana.”[9]

A Santa Páscoa consiste em todo o nosso patrimônio espiritual, o núcleo da nossa piedade. A Ressurreição do Senhor é também a nossa própria ressurreição no tempo presente, sendo ao mesmo tempo prefiguração e antegozo da “ressurreição comum de todos os homens” e da renovação de toda a criação. Iluminados pela luz resplandecente do rosto de Cristo Ressuscitado e glorificando, com salmos, hinos e cânticos espirituais, o seu santíssimo nome, Ele, o Príncipe da paz, que está conosco “todos os dias até a consumação dos séculos”[10]desejamos uma “Feliz Ressurreição”, plena de dons divinos durante todo o período pascal e em todos os dias da vossa vida, proclamando com alegria universal: “Cristo ressuscitou! Verdadeiramente ressuscitou o Senhor!”

Fanar, Santa Pásoa 2026

† Bartholomeu de Constantinopla

fervoroso suplicante por todos vós a Cristo Ressuscitado,




[1] Fil. 4,8.

[2] Mat. 5,39.

[3] Gal. 5,6.

[4] S. Máximos, o Confessor, Chapters on Love, I.15. PG 90, 964.

[5] Mat. 5,13-15.

[6] 1 Pd. 3,15.

[7] S. Gregório, o Teólogo, Oration 1, On Holy Pascha and on Tardiness, PG 35, 397.

[8] Fil. 4,7.

[9] A Missão da Igreja Ortodoxa no Mundo de Hoje, C, § 5.

[10] Mat. 28,20.


ENCÍCLICA PATRIARCAL PARA LA SANTA PASCUA

 



Nº Prot. 279

 

+ B A R T O L O M É

POR LA MISERICORDIA DE DIOS

ARZOBISPO DE CONSTANTINOPLA-NUEVA ROMA

Y PATRIARCA ECUMÉNICO

A LA PLENITUD DE LA IGLESIA:

GRACIA, PAZ Y MISERICORDIA DE CRISTO, RESUCITADO EN GLORIA

* * *

Honorabilísimos Hermanos jerarcas y benditos hijos en el Señor:

Habiendo llegado con ayuno, oración y solemnidad al día radiante y festivo de la Santa Pascua, cantamos y glorificamos la Resurrección universalmente salvadora de nuestro Señor, Dios y Salvador Jesucristo, que marca claramente la victoria de la vida sobre la muerte, renueva toda la creación y le abre a la humanidad el camino de la deificación mediante la gracia. La Iglesia de Cristo conserva la experiencia pascual en su vida litúrgica, en las luchas de los Santos y los Mártires de la Fe, en el impulso escatológico del monaquismo, en la proclamación del Evangelio hasta el confín de la tierra, en la teología y en las artes eclesiásticas, en el buen testimonio de los fieles en el mundo, en la cultura del amor y la solidaridad y en la inamovible certidumbre de que el mal no tiene la última palabra en la historia. 

La Resurrección del Señor se vive como una libertad otorgada por Cristo que inspira, alimenta y fortalece las potencias creadoras de la persona humana y la buena batalla en favor de todo lo que es verdadero, noble, justo, puro, amable, laudable, todo lo que es virtud o mérito, al tiempo que nos recuerda a todos que el camino hacia la Resurrección está inseparablemente unido a la Cruz. Este vínculo ha preservado al pueblo de Dios de identificarse con el espíritu de este mundo, librándolo a la vez del aislamiento estéril y de una espiritualidad privada de dinamismo y de un espíritu de esperanza. La vida de los fieles en el Cristo crucificado y resucitado sigue rechazando hoy en día toda narrativa ajena al ethoscristiano como una moral de los débiles” supuestamente manifestada en la humildad, en el perdón, en el amor sacrificial, en el ascetismo, en las palabras de Cristo (No hagáis frente al que os agravia) y en otros principios y disposiciones que pertenecen al núcleo mismo de nuestra identidad. Nada puede estar más lejos de la verdad que esta interpretación del ethosdel Cristianismo, que es el del amor sacrificial que no es egoísta”, un amor entretejido de valentía, audacia y autenticidad existencial. La Pascua es un himno a esta libertad fe que actúa por el amor, que no es un logro nuestro, sino una gracia y un don de lo alto, y que se vive en los Santos Misterios de la Iglesia y en el misteriodel servicio al prójimo; de hecho, el amor a Dios no es en modo alguno compatible con el odio hacia los demás seres humanos”.

La Iglesia de Cristo -la sal de la tierra, la luz del mundo, la ciudad puesta en lo alto de un monte, la lámpara puesta en el candelero- ofrece un testimonio activo en el mundo, ante las señales de los tiempos, de la gracia que ha venido y de nuestra esperanza. El mensaje de la Cruz y de la Resurrección resuena hoy como un Evangelio de paz, reconciliación y justicia. La guerra, el odio y la injusticia son lo opuesto a los principios cristianos fundamentales, por cuya realización y establecimiento reza y trabaja cada día el pueblo de Dios. A la luz de la Resurrección, suplicamos a Dios por las víctimas de la violencia de la guerra, por los huérfanos, por las madres que hacen luto por sus hijos y por todos los que llevan en su cuerpo y en su alma los efectos de la crueldad y la insensibilidad humana. La exclamación “¡Cristo ha resucitado!es un rechazo y una condena de la violencia y el miedo y una invitación a vivir una vida de paz. La guerra provoca lamentos y muerte, mientras que la Resurrecciión conquista a la muerte y otorga incorruptibilidad.

 

Ante las imágenes diarias de la crueldad de la guerra, la Iglesia alza su voz y proclama la sacralidad de la persona humana -de toda persona humana concreta que viva en cualquier parte del mundo- y el deber absoluto de que se respete esa dignidad, y nos llama a ser conscientes de nuestro propio valor, a honrar al Prototipo, a reconocer el poder del misterio y a entender por quién murió Cristo”. La Resurrección del Señor es la restauración del ser humano a su llamada eterna. Como principio de otra vida eterna, sana las relaciones que generan distanciamiento y establece la paz que supera todo juicio, una paz que trae reconciliación y pacificación al mundo.

Inspirado por Dios, el Santo y Gran Concilio de la Iglesia Ortodoxa, cuyo décimo aniversario celebramos este año, subrayó el deber de la Iglesia de animar a todo lo que de verdad sirva a la causa de la paz (Rom 14,19) y abra las puertas a la justicia, la fraternidad, la verdadera libertad y el amor mutuo entre todos los hijos del único Padre celestial, así como entre todos los pueblos que conforman la única familia humana”.

La Santa Pascua es la plenitud de nuestra civilización espiritual, el núcleo mismo de nuestra piedad. La Resurrección del Señor es también nuestra propia resurrección en la era presente, y al mismo tiempo una prefiguración y pregustación de la resurrección universal de todos los seres humanosy de la renovación de la creación entera. Iluminados por la luz radiante del rostro del Cristo resucitado, y glorificando con salmos, himnos y cánticos espirituales el santísimo Nombre del Príncipe de la Paz, que está con nosotros todos los días, hasta el final de los tiempos, os deseamos una bendita Resurrección y un tiempo pascual lleno -como cada día de vuestra vida- de dones divinos, elevando la proclamación universal de gozo: ¡Cristo ha resucitado! ¡Verdaderamente ha resucitado!

 

En el Fanar,

Santa Pascua de 2026

 

+ Bartolomé de Constantinopla,

fervoroso suplicante por todos vosotros

ante Cristo resucitado de entre los muertos.


ΠΑΤΡΙΑΡΧΙΚΗ ΑΠΟΔΕΙΞΙΣ ΕΠΙ ΤΩι ΑΓΙΩι ΠΑΣΧΑ

 


 

Ἀριθμ. Πρωτ. 279  

  

† Β Α Ρ Θ Ο Λ Ο Μ Α Ι Ο Σ

ΕΛΕῼ ΘΕΟΥ ΑΡΧΙΕΠΙΣΚΟΠΟΣ

ΚΩΝΣΤΑΝΤΙΝΟΥΠΟΛΕΩΣ - ΝΕΑΣ ΡΩΜΗΣ

ΚΑΙ ΟΙΚΟΥΜΕΝΙΚΟΣ ΠΑΤΡΙΑΡΧΗΣ

ΠΑΝΤΙ Τῼ ΠΛΗΡΩΜΑΤΙ ΤΗΣ ΕΚΚΛΗΣΙΑΣ ΧΑΡΙΝ, ΕΙΡΗΝΗΝ ΚΑΙ EΛΕΟΣ

ΠΑΡΑ ΤΟΥ ΕΝΔΟΞΩΣ ΑΝΑΣΤΑΝΤΟΣ ΧΡΙΣΤΟΥ

* * * 

Τιμιώτατοι ἀδελφοί Ἱεράρχαι καί εὐλογημένα τέκνα ἐν Κυρίῳ, 

Φθάσαντες ἐν νηστείᾳ, προσευχῇ καί κατανύξει τήν λαμπροφόρον καί πανέορ-τον ἡμέραν τοῦ Ἁγίου Πάσχα, ὑμνοῦμεν καί δοξάζομεν τήν κοσμοσωτήριον Ἔγερσιν τοῦ Κυρίου καί Θεοῦ καί Σωτῆρος ἡμῶν Ἰησοῦ Χριστοῦ, ἡ ὁποία σηματοδοτεῖ τήν περιφανῆ νίκην τῆς ζωῆς ἐπί τοῦ θανάτου, καινοποιεῖ τήν κτίσιν πᾶσαν καί διανοίγει εἰς τόν ἄνθρωπον τήν ὁδόν τῆς θεώσεως κατά χάριν. Ἡ Ἐκκλησία τοῦ Χριστοῦ διασώζει τήν πασχάλιον ἐμπειρίαν εἰς τήν λειτουργικήν ζωήν, εἰς τούς ἄθλους τῶν Ἁγίων καί τῶν Μαρτύρων τῆς πίστεως, εἰς τήν ἐσχατολογικήν ὁρμήν τοῦ μοναχισμοῦ, εἰς τήν ἐξαγγελίαν τοῦ Εὐαγγελίου «ἕως ἐσχάτου τῆς γῆς», εἰς τήν θεολογίαν καί τήν δοξολο-γικήν τέχνην, εἰς τήν καλήν μαρτυρίαν τῶν πιστῶν ἐν τῷ κόσμῳ, εἰς τόν πολιτισμόν τῆς ἀγάπης καί τῆς ἀλληλεγγύης, εἰς τήν ἀμετακίνητον βεβαιότητα ὅτι τό κακόν δέν ἔχει τόν τελευταῖον λόγον ἐν τῇ ἱστορίᾳ.

Ἡ Ἀνάστασις τοῦ Κυρίου βιοῦται ὡς χριστοδώρητος ἐλευθερία, ἡ ὁποία ἐμπνέει, τροφοδοτεῖ καί ἐνισχύει τάς δημιουργικάς δυνάμεις τοῦ ἀνθρώπου, τόν ἀγῶνα τόν καλόν δι᾿ «ὅσα ἐστὶν ἀληθῆ, ὅσα σεμνά, ὅσα δίκαια, ὅσα ἁγνά, ὅσα προσφιλῆ, ὅσα εὔ-φημα»[1], ὑπενθυμίζουσα εἰς πάντας ἡμᾶς ὅτι ἡ πορεία πρός τήν Ἀνάστασιν εἶναι ἀδιαρρήκτως συνδεδεμένη μέ τόν Σταυρόν. Ἡ σταυροαναστάσιμος εὐφροσύνη ἔσωζε τόν λαόν τοῦ Θεοῦ ἀπό ταυτίσεις μέ τό πνεῦμα τοῦ κόσμου τούτου, καί ἐν ταὐτῷ τόν προεφύλαττεν ἀπό τήν ἄγονον κλειστότητα καί μίαν πνευματικότητα ἄνευ δυναμι-σμοῦ καί ἐλπιδοφόρου πνοῆς. Ἡ ζωή τῶν πιστῶν, ἐν Χριστῷ σταυρωθέντι καί ἀνα-στάντι δι᾿ ἡμᾶς τούς ἀνθρώπους, ἀκυρώνει καί σήμερον ὅλα τά ἀνοίκεια ἀφηγήματα περί τοῦ χριστιανικοῦ ἤθους ὡς «ἠθικῆς τῶν ἀδυνάτων», τῆς δῆθεν ἐκπροσωπουμένης ὑπό τῆς ταπεινοφροσύνης, τῆς συγχωρητικότητος, τῆς θυσιαστικῆς ἀγάπης, τοῦ ἀσκη-τισμοῦ, τοῦ Κυριακοῦ «ἐγὼ δὲ λέγω ὑμῖν μὴ ἀντιστῆναι τῷ πονηρῷ»[2] καί ἄλλων ἀρχῶν καί στάσεων, αἱ ὁποῖαι ἀνήκουν εἰς τόν πυρῆνα τῆς ταυτότητός μας. Οὐδέν ἀναλη-θέστερον αὐτῆς τῆς προσεγγίσεως τοῦ ἤθους τῆς Χριστιανοσύνης, τῆς «οὐ ζητούσης τὰ ἑαυτῆς» θυσιαστικῆς ἀγάπης, τῆς συνυφασμένης μέ γενναιότητα, θάρρος καί ὑπαρκτικήν αὐθεντικότητα. Τό Πάσχα εἶναι  ὕμνος εἰς αὐτήν τήν ἐλευθερίαν, τήν «δι᾿ ἀγάπης ἐνεργουμένην»[3] πίστιν, ἡ ὁποία δέν εἶναι ἰδικόν μας κατόρθωμα, ἀλλά χάρις καί ἄνωθεν δωρεά καί βιοῦται εἰς τά ἅγια μυστήρια τῆς Ἐκκλησίας καί εἰς τό «μυστή-ριον» τῆς διακονίας τοῦ πλησίον. Ὄντως, «ἡ εἰς Θεὸν ἀγάπη, τοῦ εἰς ἄνθρωπον μίσους παντελῶς οὐκ ἀνέχεται»[4].   

Ἡ Ἐκκλησία τοῦ Χριστοῦ, τό «ἅλας τῆς γῆς», τό «φῶς τοῦ κόσμου», ἡ πόλις, «ἡ ἐπάνω ὄρους κειμένη», ὁ λύχνος, ὁ «ἐπὶ τῆν λυχνίαν»[5], δίδει ἐμπράκτως ἐν τῷ κόσμῳ ἐνώπιον τῶν σημείων τῶν καιρῶν τήν μαρτυρίαν περί τῆς ἐλθούσης χάριτος καί «τῆς ἐν ἡμῖν ἐλπίδος»[6]. Ὁ λόγος τοῦ Σταυροῦ καί τῆς Ἀναστάσεως ἠχεῖ σήμερον ὡς Εὐαγγέ-λιον εἰρήνης, καταλλαγῆς καί δικαιοσύνης. Ὁ πόλεμος, τό μῖσος καί ἡ ἀδικία ἀντιστρα-τεύονται τάς θεμελιώδεις χριστιανικάς ἀρχάς, διά τήν πραγμάτωσιν καί ἑδραίωσιν τῶν ὁποίων προσεύχεται καί ἐργάζεται καθ᾿ ἡμέραν ὁ λαός τοῦ Θεοῦ. Ἐν τῷ φωτί τῆς Ἁναστάσεως, δεόμεθα τοῦ Κυρίου ὑπέρ τῶν θυμάτων τῆς πολεμικῆς βίας, τῶν ὀρφα-νῶν, τῶν θρηνουσῶν τά τέκνα των μητέρων, ὑπέρ πάντων ὅσων φέρουν εἰς τό σῶμα καί τήν ψυχήν των τά ἐνεργήματα τῆς ἀνθρωπίνης σκληρότητος καί ἀναλγησίας. Τό «Χριστὸς Ἀνέστη» εἶναι ἄρνησις καί καταδίκη τῆς βίας καί τοῦ φόβου καί πρόσκλησις εἰς βίον εἰρηνικόν. Ὁ πόλεμος παράγει ὀδυρμόν καί θάνατον· ἡ Ἀνάστασις νικᾷ τόν θάνατον καί χαρίζεται ἀφθαρσίαν.

Ἐνώπιον τῶν καθημερινῶν εἰκόνων τῆς βαρβαρότητος τοῦ πολέμου, ἡ Ἐκκλησία διακηρύσσει γεγονυίᾳ τῇ φωνῇ τήν ἱερότητα τοῦ ἀνθρωπίνου προσώπου τοῦ κάθε συγκεκριμένου ἀνθρώπου ὅπου γῆς, καί τό χρέος τοῦ ἀπολύτου σεβασμοῦ της, καί καλεῖ ὅπως «γνωρίσωμεν ἡμῶν τὸ ἀξίωμα, τιμήσωμεν τὸ ἀρχέτυπον, γνῶμεν τοῦ μυ-στηρίου τὴν δύναμιν καὶ ὑπὲρ τίνος Χριστὸς ἀπέθανε»[7]. Ἡ Ἀνάστασις τοῦ Κυρίου εἶναι ἀποκατάστασις τοῦ ἀνθρώπου εἰς τήν προαιώνιον κλίσιν του. Ὡς «ἀπαρχὴ ἄλλης βιο-τῆς αἰωνίου» θεραπεύει τάς ἀλλοτριωτικάς σχέσεις καί ἐγκαθιδρύει τήν εἰρήνην «τὴν ὑπερέχουσαν πάντα νοῦν»[8], ἡ ὁποία ἐμπερικλείει τήν ἐγκόσμιον καταλλαγήν καί εἰρήνευσιν.

Θεοκινήτως ἡ Ἁγία καί Μεγάλη Σύνοδος τῆς Ὀρθοδόξου Ἐκκλησίας, τήν συμπλήρωσιν δεκαετίας ἀπό τῆς συγκλήσεως τῆς ὁποίας τιμῶμεν ἐφέτος, ὑπεγράμ-μισε τό καθῆκον τῆς Ἐκκλησίας «νά ἐπικροτῇ πᾶν ὅ,τι ἐξυπηρετεῖ πράγματι τήν εἰρή-νην (Ρωμ. ιδ’, 9) καί ἀνοίγει τήν ὁδόν πρός τήν δικαιοσύνην, τήν ἀδελφοσύνην, τήν ἀλη-θῆ ἐλευθερίαν καί τήν ἀμοιβαίαν ἀγάπην μεταξύ ὅλων τῶν τέκνων τοῦ ἑνός οὐρανίου Πατρός, ὡς καί μεταξύ ὅλων τῶν λαῶν τῶν ἀποτελούντων τήν ἑνιαίαν ἀνθρωπίνην οἰκογένειαν»[9].

Τό Ἅγιον Πάσχα εἶναι ὁλόκληρος ὁ πνευματικός πολιτισμός μας, ὁ πυρήν τῆς εὐσεβείας μας. Ἡ Ἀνάστασις τοῦ Κυρίου εἶναι καί ἡ ἰδική μας Ἀνάστασις ἐν τῷ νῦν αἰῶνι, προτύπωσις δέ καί πρόγευσις τῆς «κοινῆς τῶν ἀνθρώπων ἀναστάσεως» καί τῆς ἀνακαινίσεως ὁλοκλήρου τῆς δημιουργίας. Κατηυγασμένοι ὑπό τοῦ ὑπερλάμπρου φωτός τοῦ προσώπου τοῦ Ἀναστάντος Χριστοῦ καί δοξάζοντες ἐν ψαλμοῖς καί ὕμνοις καί ᾠδαῖς πνευματικαῖς τό ὑπεράγιον ὄνομα Αὐτοῦ, τοῦ Ἄρχοντος τῆς εἰρήνης, τοῦ ὄντος μεθ᾿ ἡμῶν «πάσας τὰς ἡμέρας ἕως τῆς συντελείας τοῦ αἰῶνος»[10], εὐχόμεθα «Κα-λήν Ἀνάστασιν», πλήρη θείων δωρημάτων ὁλόκληρον τήν πασχάλιον περίοδον καί πάσας τάς ἡμέρας τῆς ζωῆς ὑμῶν, ἀναφωνοῦντες τό κοσμοχαρμόσυνον «Χριστὸς Ἀνέστη! Ἀληθῶς Ἀνέστη ὁ Κύριος!»

Φανάριον, γιον Πάσχα ,βκς´

Κωνσταντινουπόλεως

διάπυρος πρός Χριστόν ναστάντα

εχέτης πάντων μν.

 


 



[1] Φιλιπ. δ’ 8.

[2] Ματθ. ε’, 39.

[3] Γαλ. ε’, 6.

[4] Μαξίμου τοῦ Ὁμολογητοῦ, Κεφάλαια περὶ ἀγάπης, PG 90, 964.

[5] Ματθ. ε’, 13-15.

[6] Α’ Πέτρ. γ’, 15.

[7] Γρηγορίου τοῦ Θεολόγου, Λόγος Α’, Εἰς τὸ ἅγιον Πάσχα καὶ εἰς τὴν βραδυτῆτα, PG 35, 397.

[8] Φιλιπ. δ’, 7.

[9] Ἡ ἀποστολή τῆς Ὀρθοδόξου Ἐκκλησίας εἰς τόν σύγχρονον κόσμον, Γ’, 5.

[10] Ματθ. κη’, 20.